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Entre Avessos

Um caderno sobre o que atravessa

Transformar-se: mudanças, limites e psicoterapia

Foto do escritor: Letícia Léos
Letícia Léos
18 de abr. de 2025
1 min de leitura

Atualizado: 24 de jul.

Céu em diferentes cores, separados por bordas pretas

Transformar-se

Quase nunca é um movimento visível.


Nem sempre existe um antes e um depois bem definidos.

Uma grande decisão.

Um recomeço glorioso.


Às vezes, começa como um incômodo que retorna.


Uma pergunta que já não aceita qualquer resposta.

Um cansaço que impede a vida de continuar da mesma maneira.

Um limite que finalmente se anuncia.

Um desejo ainda sem nome, procurando espaço para existir.


Antes de mudar, hesita.

Algo que já não sustenta, mas o que que virá ainda não ganhou forma. Interregno.


Esse intervalo pode ser desconfortável. Não porque exista algo errado, mas porque transformar-se também envolve permanecer, por algum tempo, entre modos de vida: deixando de caber no que era conhecido sem saber ainda como habitar o novo.


Não há fórmula para atravessar esse processo.


Algumas transformações pedem coragem.

Outras pedem tempo.

Descanso.

Condições materiais.

Bons encontros.

Alguém que consiga permanecer por perto enquanto algo se reorganiza.


A psicoterapia pode ser um desses lugares.


Não para determinar o que você deve se tornar, mas para acompanhar aquilo que começa a se mover.


Um espaço onde as perguntas não precisam ser respondidas depressa. Onde as contradições podem existir sem que seja necessário resolvê-las imediatamente. Onde aquilo que parecia fixo pode, aos poucos, encontrar outras possibilidades.


Transformar-se não é abandonar quem se é.


Também não é encontrar uma versão verdadeira que esteve escondida o tempo todo.


É permitir que, ao encontrar outras condições, a vida possa adquirir outras formas.

 
 
 

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